domingo, 21 de março de 2010

POESIA IV
(Dia Mundial da Poesia)
Xadrez

No seu grave recanto os jogadores
Regem as lentas peças. O tabuleiro
Os demora até à alba em seu severo
Âmbito em que se odeiam duas cores.



Dentro irradiam mágicos rigores
As formas: torre homérica, ligeiro
Cavalo, sagaz dama, rei postreiro,
Oblíquo bispo e peões agressores.



Depois dos jogadores se terem ido.
Depois do tempo os ter consumido,
Decerto não terá cessado o rito.


No oriente incendiou-se esta guerra
Cujo anfiteatro é hoje toda a terra.
Como o outro, este jogo é infinito.


José Luís Borges

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